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Benvindos à desgraça do contemporâneo. Isso aqui não é matrix...

Sossego

2012 April 20
Posted by cautibury

A liberdade, estranhamente, continua enclausurada em uma jaula de vidro.

Tal como um folião veneziano com um crachá, que sob a luz de um observatório mostra sua face no Cosmos; face desenhada aos moldes das máscaras de Arlequim, exposta e transfigurada; autista e consensual.

Um tanto entre o bem e o mal. Engana-te, liberdade. E segue teu patrono. As ordens seguem anexas em maços de papéis sujos com tinta. Faz-te um normal.

 

Melancolia em Freud

2012 March 24
Posted by cautibury

Kafka avistou a “barata”.

Ela assim esperou ansiosamente pela pesada sandália de couro,

E, ainda que como um guerreiro em Esparta, repreendeu-se em ata.

Jung clareou a sombra.

Esta, embora fosse um simples impulso maldoso,

Implorou ao sol por uma escaldante condenação;

Santa Inquisição !!!

A arte sonora conheceu o ruído,

Que por sua vez sentiu-se inadequado ao seu século.

A culpa trancafiou-o, taciturno,

Condenado a um futuro perdido.

Que dizer então da hostilidade ?!?!

Partida por entre pedaços de coração

Desperta-se na sombra da noite,

Seguindo a sua jornada de herói;

Sonâmbula, pela cuca.

A bruxa seu ódio vigia.

Freud em “Luto e Melancolia”.

Os homens também choram

2012 February 27
Posted by cautibury

Uma pulseira de prata enraíza-me

Nas mais longínquas profundezas de um parágrafo.

Um desejo violento de um risco, um brilho,

Corto no aço.

Rio do rio que deságua na fonte –

Refugiado numa ponte,

Recurso de mente sem dente,

Não late, nem morde; latente -

Barrado, quiçá, nas linhas limítrofes da insensibilidade.

Talvez, contrariamente, na habilidade,

Aptidão memética que atrofia,

Mata a pureza da prata.

Chôro é água que lava;

Rompe as pulseiras da alma.

O negrume do poço altivo na sacada

2011 December 27
Posted by cautibury

Textura áspera na pele entranhada

Encontra, em meus nobres miseráveis, morada.

Lacera a dor amamentada

Por vontades ocultas nos labirintos da petulância,

Vergando o estômago de meu frustrado exorcista;

O carrasco da valoração invertida

Que, levada pela vazante imunológica,

Visita me nas noites de maré cheia,

Tal como Flor em dois do dois devolvida.

Fera despida,

A pedra de Pedro, tenebrosa Necrópole-Mor, não mais habita.

Desfila lisonjeiro em claro luar.

Ah! Mar.

Um náufrago num ponto de correnteza arredia,

Arrebatadora das pompas nas bordas dos vestidos de Monet.

E o negrume do poço, amarelando o singelo sorriso complexo,

Reaquece a dor no plexo.

Afoga o belo arraigado no outro.

Eis a convenção do corpo.

 

O vendedor de grilos

2011 October 11
Posted by cautibury

Quedei me astuto e estático

Observando o temeroso rio

Rasgando o portão da barragem;

Tecendo reminiscências de sopapo,

Soprando as barbas do profeta

Em gravetos entrecruzados.

Avento casos

Manejo fatos

Cintilo o fardo

Abro a gaiola para ouvir a estridulação no mato.

Marcos, 16

2011 September 11
Posted by cautibury

Na moral

2011 September 11
Posted by cautibury

Abro meu túmulo e sinto exalar a essência de meu perfume;
Ebulição da vontade de potência do ideal arcaico grego,
Fervida em prol de um fruto imaginário de minhas fraquezas-
O conforto na superfície dos ares metafísicos-
Consórcio pago mediante a negação de meus instintos,
Harmônicos dionisíacos sedentos de plenitude natural.
- Homicídio doloso julgado pela própria suspeita!
Entenda-se: A moral

U.s.a

2011 May 8
Posted by cautibury

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Maturidade

2011 May 8
Posted by cautibury

Ela chegou;

Não discutiu, não sugeriu; nem opinou

Aparentemente concordou; se foi

Muito não se demorou

Quem a conhece confessa:

“Bastante já chorou, lutou

Sonhou quando criança

Os mais sublimes ideais

Seu barco, rumo à cabeceira, tanto remou

Trajetória árdua

Coordenadas bem definidas

Sentido contrastante

Dissonante na harmonia em voga”

                              - Xiii! Maluca…

            – Deve se conformar…

                                       – A vida é assim…                           

                                                                         – Pois é: Bella, pero no mucho…

O social delineia o quadrado encantado

Ludibria a visão

É cárcere sem grades

Fantasia aberta na infinitude numerológica

Pós contemporânea Rosa dos Ventos

Soprando na direção dos interesses induzidos

Sensação falsa de liberdade

Sonho Yankee de oportunidades

E na onda de um cânone pouco variado

Ela aparentemente concordou; se foi

E chorou…

 

 

Violeta colorida

2011 April 25
Posted by cautibury

Numa tonalidade de luto chinês

Soa um sol grave de um fagote

Escrito nas insinuantes linhas do corpo

O azul celeste retoca o brilho do pomo de Adão

E, assim, um funesto convite encandeia o espanto:

- Vem amor, vem fazer um Tererê.

 

Sulacap, OX/OX/OXXX 02:30 a.m.