Benvindos à desgraça do contemporâneo. Isso aqui não é matrix...
A liberdade, estranhamente, continua enclausurada em uma jaula de vidro.
Tal como um folião veneziano com um crachá, que sob a luz de um observatório mostra sua face no Cosmos; face desenhada aos moldes das máscaras de Arlequim, exposta e transfigurada; autista e consensual.
Um tanto entre o bem e o mal. Engana-te, liberdade. E segue teu patrono. As ordens seguem anexas em maços de papéis sujos com tinta. Faz-te um normal.

Kafka avistou a “barata”.
Ela assim esperou ansiosamente pela pesada sandália de couro,
E, ainda que como um guerreiro em Esparta, repreendeu-se em ata.
Jung clareou a sombra.
Esta, embora fosse um simples impulso maldoso,
Implorou ao sol por uma escaldante condenação;
Santa Inquisição !!!
A arte sonora conheceu o ruído,
Que por sua vez sentiu-se inadequado ao seu século.
A culpa trancafiou-o, taciturno,
Condenado a um futuro perdido.
Que dizer então da hostilidade ?!?!
Partida por entre pedaços de coração
Desperta-se na sombra da noite,
Seguindo a sua jornada de herói;
Sonâmbula, pela cuca.
A bruxa seu ódio vigia.
Freud em “Luto e Melancolia”.
Uma pulseira de prata enraíza-me
Nas mais longínquas profundezas de um parágrafo.
Um desejo violento de um risco, um brilho,
Corto no aço.
Rio do rio que deságua na fonte –
Refugiado numa ponte,
Recurso de mente sem dente,
Não late, nem morde; latente -
Barrado, quiçá, nas linhas limítrofes da insensibilidade.
Talvez, contrariamente, na habilidade,
Aptidão memética que atrofia,
Mata a pureza da prata.
Chôro é água que lava;
Rompe as pulseiras da alma.
Textura áspera na pele entranhada
Encontra, em meus nobres miseráveis, morada.
Lacera a dor amamentada
Por vontades ocultas nos labirintos da petulância,
Vergando o estômago de meu frustrado exorcista;
O carrasco da valoração invertida
Que, levada pela vazante imunológica,
Visita me nas noites de maré cheia,
Tal como Flor em dois do dois devolvida.
Fera despida,
A pedra de Pedro, tenebrosa Necrópole-Mor, não mais habita.
Desfila lisonjeiro em claro luar.
Ah! Mar.
Um náufrago num ponto de correnteza arredia,
Arrebatadora das pompas nas bordas dos vestidos de Monet.
E o negrume do poço, amarelando o singelo sorriso complexo,
Reaquece a dor no plexo.
Afoga o belo arraigado no outro.
Eis a convenção do corpo.
Abro meu túmulo e sinto exalar a essência de meu perfume;
Ebulição da vontade de potência do ideal arcaico grego,
Fervida em prol de um fruto imaginário de minhas fraquezas-
O conforto na superfície dos ares metafísicos-
Consórcio pago mediante a negação de meus instintos,
Harmônicos dionisíacos sedentos de plenitude natural.
- Homicídio doloso julgado pela própria suspeita!
Entenda-se: A moral

Ela chegou;
Não discutiu, não sugeriu; nem opinou
Aparentemente concordou; se foi
Muito não se demorou
Quem a conhece confessa:
“Bastante já chorou, lutou
Sonhou quando criança
Os mais sublimes ideais
Seu barco, rumo à cabeceira, tanto remou
Trajetória árdua
Coordenadas bem definidas
Sentido contrastante
Dissonante na harmonia em voga”
- Xiii! Maluca…
– Deve se conformar…
– A vida é assim…
– Pois é: Bella, pero no mucho…
O social delineia o quadrado encantado
Ludibria a visão
É cárcere sem grades
Fantasia aberta na infinitude numerológica
Pós contemporânea Rosa dos Ventos
Soprando na direção dos interesses induzidos
Sensação falsa de liberdade
Sonho Yankee de oportunidades
E na onda de um cânone pouco variado
Ela aparentemente concordou; se foi
E chorou…
Numa tonalidade de luto chinês
Soa um sol grave de um fagote
Escrito nas insinuantes linhas do corpo
O azul celeste retoca o brilho do pomo de Adão
E, assim, um funesto convite encandeia o espanto:
- Vem amor, vem fazer um Tererê.
Sulacap, OX/OX/OXXX 02:30 a.m.

